Ômicron: entenda o quão preocupante a subvariante BA.2 pode ser


Brasil têm casos confirmados da linhagem BA.2, da variante Ômicron. Nova mutação sugere ser mais contagiosa e menos grave

Porto Velho, RO
- Nos últimos dias, o Brasil registrou os primeiros casos da subvariante BA.2, da Ômicron. Apesar de só ter sido identificado agora no país, o subtipo já é dominante na Dinamarca e vem crescendo em outros países, como o Reino Unido.

O médico infectologista Marcelo Daher, membro da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), explica que o subtipo herdou da cepa original uma grande capacidade de propagação. Segundo ele, dados mostram que a BA.2 é bem mais transmissível que as versões anteriores do vírus.

Apesar de existir o temor de que a nova versão continue mantendo os casos de Covid-19 em patamares altos – o que sobrecarrega a rede hospitalar, as informações até aqui dão conta de que o subtipo também não estaria relacionado a manifestações mais graves da doença.

“A Dinamarca, apesar do crescimento de casos e da prevalência da BA.2, decidiu abandonar as medidas de contenção e encarar a Ômicron como uma doença respiratória normal, como a influenza e os resfriados comuns”, aponta o especialista.

Estudo feito no país mostra que a BA.2, da Ômicron, é até 33% mais transmissível do que a versão original (BA.1) e tem maior capacidade de infectar os imunizados.

Os dados constam de análise feita por pesquisadores do Statens Serum Institut (SSI) com moradores de 8,5 mil residências dinamarquesas, entre dezembro de 2021 e janeiro deste ano.

“A doença vem repetindo uma característica que a Ômicron já apresentava. Uma tendência a ter um quadro muito mais nas vias aéreas superiores do que nas vias aéreas inferiores, o que torna a infecção mais branda”, diz Daher.

Dificuldade de identificação

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, a subvariante é mais difícil de ser identificada em testes de sequenciamento genômico. Por isso, a entidade recomenda que os países refaçam análises para casos que não foram sinalizados anteriormente.

A virologista da OMS na África, Nicksy Gumede-Moeletsi, explicou em entrevistas que a versão original é mais fácil de ser rastreada porque tem a ausência de um dos três genes-alvo usados ​​em testes de PCR comuns, gerando um padrão para a detecção.

A BA.2, por sua vez, não tem a ausência desse gene-alvo, o que dificulta sua classificação por exames de menor precisão.

Sintomas e proteção

Segundo a infectologista Ana Helena Germoglio, o aparecimento de mutações é uma estratégia de sobrevivência dos vírus. Ela explica que o subtipo também se mostra mais transmissível, mas não é mais mortal.

De acordo com as informações disponíveis, os sintomas não são diferentes entre as subvariantes. “Hoje, o que a gente vê mais são os sintomas gripais. Os pacientes que foram identificados com ela evoluíram com formas leves, mas não significa que não existirão quadros graves”, aponta Germoglio.

A especialista ressalta a importância do uso contínuo de máscaras, do distanciamento social e da vacinação como medidas fundamentais para conter também o avanço dessa cepa do coronavírus.

“Ainda não há motivo para pânico. Mas isso tudo nos serve de alerta, pois quanto maior a circulação viral maior a probabilidade de surgimento de novas variantes com maior ou menor capacidade de infecção”, pondera Germoglio.

Reinfecção e a importância da vacina

Germoglio considera que existe um período de alta proteção até três meses depois da infecção. “É muito pouco provável que quem teve um quadro de infecção pela Ômicron, ou por qualquer outra variante, apresente uma nova infecção dentro dos próximos três meses”, explica a médica.

O diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Renato Kfouri, segue defendendo a importância da vacinação. “Não há nenhuma suspeita de que a gente precise revacinar, ou mudar as vacinas, nem por conta da Ômicron nem da BA.2”, afirma Kfouri.

Ele acrescenta que os estudos realizados para atualizações de vacinas buscam tornar os imunizantes mais eficazes a fim de evitar as formas leves da Covid-19. “O que as vacinas têm mantido com altíssima eficácia é o risco de evolução para as formas graves. Nós precisamos de vacinas que funcionem também para quadros leves, para diminuir a sobrecarga em hospitais”, diz.


Fonte: Metrópoles
Postar um comentário (0)
Postagem Anterior Próxima Postagem