Corrupção na Gestão Fúria desvio de combustíveis pode passar de 1 milhão



Em discurso na Tribuna da Câmara Municipal de Cacoal durante a Sessão Ordinária realizada na noite desta quarta-feira (11), o vereador Paulo Henrique Silva (dr Paulo Henrique/PTB) propôs a criação de uma Comissão de Inquérito Parlamentar (CPI) para investigar as denúncias de desvios de combustíveis na gestão Adailton Furia (PSD), prefeito de Cacoal.

Fazendo analogia com o poema “José”, de Carlos Drummond de Andrade, o vereador questionou o silêncio em torno das denúncias sobre a corrupção na administração do atual prefeito do município.
“É José, eu sei que qualquer prefeito desse país emitiria, ao menos, uma Nota de Esclarecimento para informar a população, pois Cacoal tem Pressa!”, relatou, solicitando prefeito que faça uma live e um pronunciamento, já que o chefe do Executivo tem o hábito de se promover pessoalmente na rede social diariamente usando o slogan para subentender que a atual administração é a primeira ou única em algo.
“No caso dos combustíveis”, seguiu o vereador, “ele tem razão: não há nenhum outro município de Rondônia onde tenha acontecido um escândalo dessa proporção. Cacoal é o único no desvio de combustíveis da frota de veículos”.

Concunhado e servidor afastado

Em sua fala, dr Paulo Henrique lembrou que durante uma reunião realizada na Casa de Leis entre os vereadores e o prefeito, -logo após as denúncias serem oficializadas pelo próprio Fúria na Delegacia, e consequentemente virem à tona, se tornando assunto de debate nos bastidores da política na cidade e nas redes sociais nos últimos dias-, o chefe do Executivo disse que esquema de desvio de combustíveis ocorre desde a gestão padre Franco, mesmo assim, sugeriu que fosse apenas instaurada uma Comissão de Averiguação.

Com base na citação do próprio chefe do Executivo, que após formular a denúncia na Polícia, afastou o concunhado do cargo que ocupava no município e outro servidor vindo de Porto Velho, o vereador disparou uma enxurrada de questionamentos.

“O prefeito era vereador naquele tempo, por que não denunciou o esquema? Por que foi omisso? Por que prevaricou? Será que não sabia fiscalizar? Será que as pessoas envolvidas nesse escândalo de desvio de combustível da atual gestão foram nomeadas pelo ex-prefeito Franco? Quem são os envolvidos? Quem nomeou? Qual cargo ocupam na administração? São parentes do prefeito, vieram importados de Porto Velho, ou são agregados políticos do PSD? Será? Não podemos aceitar que familiares do prefeito sejam acusados assim”, disse, estalando um cinto de couro de boi com as mãos e na Tribuna, encenando uma surra nos envolvidos, em ato comparativo ao utilizado pelo prefeito com um cinto de jacaré na rede social para castigar envolvidos no furto de fios elétricos no Espaço Beira Rio.

Mais de R$ 1 milhão envolvido em desvios de combustíveis

Durante seu discurso, o vereador também lembrou da CPI da Energisa, à qual Fúria foi membro suplente como deputado estadual, e na época esbravejava dia e noite pelos quatro cantos do estado cobrando uma solução.

“Lembram do barulho que ele fez? Por que agora é contrário a CPI dos Combustíveis? O que mudou?”, reforçou, lembrando que a abertura de uma CPI não significa condenar ninguém, ela serve para investigar, mostrar a verdade, apontar quem não tem culpa.

Também para o parlamentar, advogado, e jornalista, a abertura da CPI é um dever da Câmara de Vereadores de Cacoal, e é o instrumento oficial para provar a honestidade dos que não estão envolvidos, por isso é necessária. Já a instalação de uma Comissão de Averiguação como foi sugerida, “servirá apenas para tentar abafar o caso”, cujo “boca miúda” dá conta que mais de R$ 1 milhão envolvido.

“A Polícia Civil e a Promotoria de Justiça de Cacoal estão investigando o caso. Acredito nas instituições, mas creio também que há necessidade de imparcialidade, e liberdade para condução da investigação, pois o Prefeito levou a denúncia à Polícia Civil e ao MP, mas não trouxe nada à Câmara”, observou.

Assinaturas

Ainda na Tribuna, o vereador conclamou os demais colegas do Legislativo a apurar os fatos, iniciando com a convocação dos responsáveis pela autorização dos cartões que são utilizados para abastecer veículos públicos municipais.

“A corrupção no serviço público nem sempre envolve apenas servidores subordinados. Por isso precisamos investigar os fatos denunciados pelo prefeito e sugiro caso haja recursos federais na aquisição de combustível, investigação por outros órgãos de controle externo (PF, Ministério da Saúde, CGU, MEC, TCU, TCE/RO), além da Câmara Municipal”, completou, encerrando o discurso dizendo o documento que pede a criação da CPI ficará à disposição dos colegas parlamentares para assinarem no decorrer da semana, e reportando a analogia questionadora do poema de Drummond:

“E agora José? Quem poderá nos defender?

Até o momento, somente o dr Paulo Henrique e o vereador Valdomiro Corá (Corazinho MDB) se posicionaram a favor da CPI para investigar os desvios dos combustíveis em Cacoal. Conforme Regimento da Casa, para a criação de uma CPI, são necessárias pelo ao menos quatro assinaturas.
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