OURO E PRATA - Rebeca Andrade volta a brilhar com ouro e prata no Mundial de ginástica artística

 

Atleta se tornou a primeira entre ginastas brasileiros a subir duas vezes no pódio na competição internacional. No Japão, ela venceu a prova de salto, assim como na Olimpíada, e faturou o segundo lugar nas barras assimétricas

Porto Velho, RO - Atual campeã olímpica, Rebeca Andrade também é agora campeã mundial na ginástica artística. A paulista de 22 anos foi medalha de ouro no salto, mesma prova que ganhou na Olimpíada de Tóquio há dois meses, e prata nas barras assimétricas no Campeonato Mundial de ginástica artística disputado neste sábado, em Kitakyushu, no Japão. Rebeca se tornou a primeira entre todos os ginastas brasileiros a subir duas vezes no pódio nesta competição internacional, feito que também havia conseguido em Tóquio 2020. Com o título, ela coroa uma temporada perfeita e se firma como um dos maiores nomes mundiais da ginástica, além de referência para o esporte brasileiro.

Rebeca chegou na final do salto como favorita. Até o collant rosa, o mesmo da Olimpíada, lembrava que a brasileira tinha tudo para repetir o ouro de Tóquio. Ela o fez com os dois melhores saltos da decisão, notas 15.133 e 14.800, que lhe deram a média de 14.966. Segunda a se apresentar, ela só esperou as seis competidoras restantes, que não a igualaram nem na dificuldade dos movimentos nem na execução. Ficou quase um ponto a frente da segunda colocada, a italiana Asia D’Amato (14.083). A russa Angelina Melnikova completou o pódio, com 13.966.

Nas barras assimétricas, aparelho que considera seu preferido, Rebeca também chegou com o peso de liderar as classificatórias. No entanto, não conseguiu repetir seu desempenho na final. Ela acabou tirando a nota 14.633 com sua apresentação (havia feito 15.100 na classificatória), ficando atrás da chinesa Wei Xiaoyuan (14.733). A chinesa Luo Rui empatou com a brasileira ao tirar os mesmos 14.633, mas a execução de Rebeca, melhor realizada na avaliação dos juízes, valeram a medalha de prata para o Brasil. Foi a primeira vez que o país ganhou uma medalha no aparelho, tanto em Olimpíadas quanto em Mundiais.MAIS INFORMAÇÕES
Rebeca Andrade, a exceção em um país que desvaloriza o esporte, triunfou por meio de uma política eficaz

Rebeca repete o feito de quatro brasileiros campeões mundiais na ginástica artística: Daiane dos Santos, Diego Hypólito, Arthur Zanetti e Arthur Nory. No entanto, é a primeira, entre homens e mulheres, a levar duas medalhas para o país numa mesma edição. “Estou muito feliz. Foi muito importante, assim como foram as medalhas olímpicas. Sempre tive a Dai, a Jade [Barbosa], a Daniele [Hypólito], o Diego, o Zanetti, o Nory, todos eles como ídolos para mim. Estou fazendo parte desse time”, disse em entrevista à TV Globo, lembrando também outros ginastas brasileiros que medalharam em Mundial.

Ela já havia conseguido um recorde semelhante na Olimpíada de Tóquio, disputada entre julho e agosto. Rebeca se tornou a primeira mulher brasileira a subir duas vezes no pódio em uma edição olímpica, quando levou o ouro no salto e a prata na prova individual geral. Além das conquistas, ela brilhou no Japão com a apresentação no solo com o instrumental do funk Baile de Favela, que rendeu o quarto lugar na final da prova. No Mundial, Rebeca optou por não disputar as provas de solo e individual geral.

Rebeca com a medalha de ouro no Mundial de Kitakyushu.KIM KYUNG-HOON (REUTERS)

Apesar de disputado no mesmo país, o Mundial não tem o mesmo peso de uma Olimpíada. A edição de 2021, inclusive, chama a atenção por estar esvaziada de outras grandes estrelas do esporte. A norte-americana Simone Biles, que não esteve na maioria das provas olímpicas por conta de sua saúde mental, também não participou da disputa. A compatriota MyKayla Skinner e a coreana Yeo-Seo Jong, que completaram o pódio do ouro de Rebeca no salto em Tóquio, também não competiram no Mundial. Mesmo o Brasil, além de Rebeca, enviou somente Caio Souza e Arthur Nory para o torneio, e ambos terminaram sem medalha. O esvaziamento se dá pela proximidade com a Olimpíada —foi a primeira vez que as duas competições aconteceram no mesmo ano desde 1996.

Com duas cirurgias no joelho, Rebeca só havia participado de um Campeonato Mundial em sua carreira, o de 2018, quando ficou fora do pódio. Agora, mesmo sem as principais adversárias, a brasileira prova com as duas medalhas que tem condições de rivalizar com Biles pelo protagonismo do esporte. Também se firma como ídolo do esporte nacional. Rebeca ainda tem a chance de vencer sua terceira medalha neste domingo, às 5h (horário de Brasília), quando compete na final da trave.


Postar um comentário

0 Comentários