Chefe do grupo Comando Vermelho em Rondônia é de Cacoal ostentava vida super luxo



Em abril deste ano, uma casa de apostas online do interior de Rondônia destinou aos "vencedores" uma quantia de R $ 13 milhões. Mas por trás dos prêmios milionários não estava a sorte, mas sim uma sofisticada organização criminosa ligada ao CV (Comando Vermelho), do Rio de Janeiro, que lavava dinheiro por meio dos jogos e qualificados seus chefes terem uma vida de super luxo no interior rondoniense .

O esquema foi desvendado pela PF, que investiga o grupo desde 2019 —quando fez uma apreensão de 2,5 toneladas de drogas. Na quarta-feira, uma megaoperação foi desencadeada com 270 policiais , em oito estados do país, para pôr fim ao esquema interestadual de tráfico de drogas.

Segundo apurou a PF, o grupo distribuição, a partir de Rondônia, cocaína para estados das regiões Centro-oeste e Sudeste do país.

"Era uma grande organização, bem importante e relevante nesse tráfico de drogas interestadual. Ela era bem organizada e segmentada", conta o delegado da PF e um dos coordenadores da ação, Alan Givigi.

Vida de super luxo

Na operação na quarta-feira, a polícia apreendeu bens que determinam como os chefes da quadrilha viviam uma vida de alto luxo.

Os itens apreendidos chamaram a atenção até dos investigadores. "O alvo principal tinha um bracelete de ouro de R $ 130 mil, para você ter ideia de quanto ostentavam", conta o delegado.


Fila de carros de luxo apreendidos pela PF na quarta-feira - Divulgação-PF / RO - Divulgação-PF / RO

O homem que era esse alvo, segundo apurou o UOL , chama-se Adriano, de 40 anos, conhecido como "Chefão". Ele mora em Cacoal e não corrigida de esconder a boa vida que levava.

Em suas redes sociais, Adriano ostenta em vídeos uma garagem cheia de carros caros, festa em lancha e até voo na aeronave sequestrada pela justiça.

Como se tratavam de cidades pequenas no interior de Rondônia, a "riqueza" dos investigados chamava a atenção de todos.

Sem citar nomes, o delegado explica que havia uma rotatividade de veículos de luxo. "Ora era Porshe; outra hora, Camaro, Land Rover. Eram sempre cinco, seis carros de luxo para ostentar. E eles viviam com nomes próprios, não eram foragidos ou estavam escondidos", conta.

Os líderes suspeitos também viviam em casas de alto luxo pelo interior. Em uma delas, visitada pela PF na quarta, em Cacoal, havia até salão de jogos com mesa de sinuca.


Casa de luxo em que vivia um dos líderes do grupo suspeito - Divulgação-PF / RO - Divulgação-PF / RO

Lavagem em apostas

Apesar da ostentação, o que chamou a atenção dos pesquisadores foi a forma como o grupo lavava o dinheiro por meio de uma pequena casa de apostas esportivas online.

Eles usavam essa casa para fazer a lavagem, pegando o dinheiro do tráfico e contabilizando como caixa da empresa. Aí eles pegavam e distribuíam como formas de pagamento em prêmios: por exemplo, um 'ganhava' R $ 500 mil em aposta, outro ganhava também

Os números chamaram a atenção. "A casa pagou, só no mês de abril, R $ 13 milhões em prêmios. A gente sabe que esse ramo dá dinheiro, mas esse montante é complicado. Isso chamou bastante a atenção", diz o delegado.
Movimentação milionária

O grupo grandes movimentações, muito atípicas para o padrão de vida da região. "Somente um dos líderes movimentou mais de R $ 3 milhões em um ano. Outro, em dois anos, movimentou R $ 10 milhões", diz.


Joias e dinheiro foram apreendidos durante a ação - Divulgação-PF / RO - Divulgação-PF / RO

O patrimônio do grupo era gigante: a Justiça mandou sequestrar 148 veículos, além de um avião e uma lancha. Durante uma operação, foram apreendidos dinheiro, joias e outros veículos. Os bens estão passando por levantamento da PF.

O delegado conta que o dinheiro ficava concentrado com poucos. "Os que ficavam ricos, na verdade, eram os 'cabeças'. O núcleo duro de liderança tem ali seus quatro, cinco principais, que usam familiares para fazer lavagem. O dinheiro circula em altos valores, mas fica mais com os líderes", explica.

O delegado conta ainda que uma investigação se atém ao tráfico interestadual de drogas, mas que a cocaína que eles vendem deve vir de países vizinhos como Bolívia e Peru. "Isso, porém, não está sendo o alvo nessa investigação", diz.


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